XXX Congresso da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial

Dados do Trabalho


Título

Efeito cardiovascular do veneno de sapos da região amazônica: possíveis alvos terapêuticos

Introdução

<p>O sapo da espécie <em>Rhinella marina</em> é abundante no Brasil. Seu veneno possui grande quantidade de bufadienolídeos, que são substâncias muito estudadas devido sua bioatividade.</p>

Objetivo

<p>Nosso objetivo foi investigar o efeito cardiovascular do veneno do R. marina e os mecanismos envolvidos.</p>

Método

<p>Para isso, primeiramente o veneno foi coletado de forma sustentável de sapos R. marina no município de Sinop-MT, localizado na Amazônia brasileira. O veneno foi processado e o extrato alcóolico obtido foi utilizado nos experimentos. A reatividade vascular foi estudada em ratos por meio de curvas concentração-resposta para R. marina (10 ng/mL a 200 μg/mL) em segmentos da artéria aorta torácica na presença e ausência do endotélio. Os potenciais mecanismos de ação envolvidos na resposta foram avaliados, assim como a atividade da NA+/K+ ATPase. Foram realizados testes in vivo nas concentrações de 0,1 a 0,8 mg/kg, a fim de determinar alterações nos parâmetros cardiovasculares após infusão intravascular deste composto.</p>

Resultados

<p>O veneno foi eficaz em promover vasoconstrição, tanto na presença quanto na ausência de endotélio. A incubação com L-NAME confirmou a modulação endotelial da resposta via NOS. Quanto aos mecanismos de ação, observamos redução no potencial contrátil após incubação com indometacina (inibidor de COX), nifedipino (bloqueador dos canais de cálcio tipo L), BQ-123 (antagonista dos receptores ETA) e ketanserina (antagonista dos receptores 5-HT2), indicando que essas vias participam ativamente da resposta contrátil observada. A incubação com apocinina (inibidor do complexo NADPH oxidase) não mostrou alteração na contratilidade. O prazosin (antagonista dos receptores α1-adrenérgicos) aboliu a resposta contrátil, tanto em potência, quanto em eficácia, sugerindo que a contração induzida pelo R. marina seja dependente da via adrenérgica. No teste da NA+/K+ ATPase, o veneno potencializou a atividade hiperpolarizante dessa enzima, já que este grupo apresentou porcentagem de relaxamento vascular superior ao grupo controle. Ao administrar este extrato via intravenosa in vivo, observamos aumento da pressão arterial média e diminuição da frequência cardíaca. Os resultados foram imediatos e transitórios, acentuados nas maiores concentrações testadas.</p>

Conclusão

<p>Sendo assim, o veneno do sapo R. marina possui uma ação vasoconstritora importante e o entendimento de sua dinâmica farmacológica pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos com enfoque no sistema cardiovascular.</p>

Palavras Chave

Rhinella marina, cardiovascular, aorta, reatividade vascular, venenos de anfíbios

Área

Área Básica

Instituições

UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso - Mato Grosso - Brasil, UofSC - University of South Carolina - - United States, USP - Universidade de São Paulo - São Paulo - Brasil

Autores

Cíntia Vieira Santos, Jacqueline Kerkhoff, Caroline Aparecida Tomazelli, Camilla F Wenceslau, Adilson P Sinhorin, Domingos J Rodrigues, Fernando S Carneiro, Gisele Facholi Bomfim