XXX Congresso da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial

Dados do Trabalho


Título

Quanto mais cedo, melhor: Tempo de Diagnóstico da Hipertensão como Preditor de Remissão da Hipertensão Arterial em Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica no Estudo GATEWAY

Introdução

<p>A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o principal fator de risco associado com a mortalidade cardiovascular e a obesidade está frequentemente presente nos pacientes com HAS. Evidências demonstram a cirurgia bariátrica como um tratamento eficaz para a perda de peso sustentada e melhora significativa no controle e remissão da HAS (níveis considerados normais da pressão arterial sem necessidade do uso de anti-hipertensivos). No entanto, não estão claros quais são os preditores de remissão da HAS após este procedimento. Fatores relacionados a dados clínicos como a idade, condições pré-existentes e características da HAS podem influenciar esta remissão e ajudar na tomada de decisão.&nbsp;</p>

Objetivo

<p>Comparar o perfil clínico dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica (bypass gástrico em Y de Roux, BGYR)&nbsp;que evoluíram com remissão da HAS com os que permaneceram com o uso de&nbsp;anti-hipertensivos 3 anos após a cirurgia.</p>

Método

<p>A amostra foi composta por pacientes submetidos ao BGYR participantes do estudo clínico randomizado e controlado GATEWAY. Para a análise comparativa dos grupos com e sem remissão da HAS, avaliamos os seguintes dados: idade, tempo de história de HAS, número de medicamentos anti-hipertensivos, raça, insulina de jejum e circunferência da cintura de base.</p>

Resultados

<p>Foram avaliados 46 pacientes submetidos ao BGYR (idade média: 42±4 anos; 83% sexo feminino; índice de massa corpórea [IMC]: 37,6±2,1 Kg/m2). Após 3 anos, 14 pacientes (30,4%) apresentaram remissão da HAS. Comparados aos pacientes sem remissão, pacientes com remissão da HAS apresentavam menor tempo de história da HAS (12,5±8,1 vs. 5,9± 5,5&nbsp;anos; p=0,01)&nbsp;respectivamente,&nbsp;e uma tendência a maior valor de circunferência da cintura de base (111,1±7,0 vs. 114,6±7,9 cm, p= 0,088). Na análise multivariada, o tempo de história de HAS mostrou-se preditor da remissão da HAS (OR: 0,85; 95% IC: 0,70-0,98; p=0,043). Estes dados sugerem, portanto que a cada 1 ano a mais no tempo de HAS, a chance de remissão diminui cerca de 15%. Além disso, houve uma tendência em relação aos menores níveis de insulina de base em pacientes que apresentaram remissão da HAS (OR: 0,91; 95% IC: 0,81-0,99; p=0,07).</p>

Conclusão

<p>A remissão da HAS em médio prazo ocorre em parcela significante nos pacientes submetidos ao BGYR e esteve independentemente associada ao menor tempo de história de HAS. Estes dados reforçam a necessidade de medidas efetivas precoces para a remissão deste importante fator de risco cardiovascular.</p>

Palavras Chave

Cirurgia bariátrica, Hipertensão Arterial, Remissão da Hipertensão, Obesidade

Área

Área Multiprofissional

Autores

Juliana Dantas Oliveira, Carlos Aurélio Schiavon, Julia Souza Oliveira, Renato Nakagawa Santos, Lucas Petri Daminiani, Eliana Vieira Santucci, Otávio Berwanger, Alexandre Biasi Cavalcanti, Luciano Ferreira Drager