XXX Congresso da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial

Dados do Trabalho


Título

Impacto do Gênero na Associação entre a Apneia Obstrutiva do Sono e a Duração do Sono com a Rigidez Arterial: Estudo ELSA-Brasil

Introdução

<p>A rigidez arterial é um marcador independente de doença cardiovascular. Vários fatores podem contribuir para o aumento da rigidez arterial, como idade, tabagismo, diabetes e a aumento da pressão arterial. Evidências crescentes sugerem que a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e que alterações na duração do sono (DS) também podem contribuir para aumentar a rigidez arterial, mas não está claro se esta associação pode ser influenciada pelo gênero.</p>

Objetivo

<p>Avaliar a associação entre a AOS e as alterações da DS com a rigidez arterial em homens e mulheres.</p>

Método

<p>Participantes com idade entre 35 e 74 anos, de ambos os gêneros foram incluídos neste estudo. Foram excluídos participantes que apresentaram falhas técnicas na realização dos estudos do sono, apneia do sono de origem central, em tratamento para distúrbios de sono e trabalhadores de turno. Os participantes realizaram uma poligrafia portátil no domicílio por uma noite para a avaliação da AOS (definida pelo índice de apneia e hipopneia, IAH). A avaliação objetiva da DS foi realizada com a actigrafia de pulso por 1 semana. A velocidade de onda de pulso (VOP) carótida-femoral foi obtida de forma não invasiva (CompliorTM).</p>

Resultados

<p>Estudamos 1.863 participantes que foram estratificados pelo gênero (42,2% homens, com idade: 49±8 anos, IAH: 13,2 (6,3-24,9) eventos/h, índice de massa corpórea: 26,7±4,1Kg/m2, DS: 6,3 (5,7-7,0) horas, VOP médio 7,8±1,3m/s). Na análise de regressão linear multivariada estratificada pelo gênero encontramos uma associação independente entre o aumento do IAH e o aumento de rigidez arterial em homens (ß: 0,072; IC 95%: 0,001–0,011), mas não em mulheres. Com relação à DS, a análise de regressão linear mostrou uma associação independente entre o aumento da DS e o aumento da rigidez arterial para as mulheres (ß: 0,057; IC 95%: 0,007–0,136), mas não em homens.</p>

Conclusão

<p>O aumento da rigidez arterial, um marcador independente de risco cardiovascular, apresentou uma associação distinta dependendo da variável do sono estudada: enquanto a gravidade da AOS foi associada com o aumento da rigidez arterial somente em homens, o aumento da DS esteve independentemente associado com a rigidez somente em mulheres.</p>

Palavras Chave

apneia obstrutiva do sono, duração do sono, velocidade da onda de pulso e rigidez arterial.

Área

Área Clínica

Instituições

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - São Paulo - Brasil

Autores

LORENNA FRANCO CUNHA, RONALDO SANTOS, ALINE AIELLO, Soraya GIATTI, BARBARA PARISE, SILVANA SOUZA, PAULO LOTUFO, ISABELA BENSENOR, LUCIANO DRAGER